sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Página em branco

Sempre me lembro de escrever, em diários, fechados a cadeado, ou folhas soltas: "poesia", quando o coração batia mais, sobretudo na adolescência, e prosa.
Guardava tudo religiosamente, mas se deixasse de me identificar com o que escrevia ou com os protagonistas dos meus contos de fada, fazia magia e toda a minha escrita desaparecia.
Há 8 anos, abri o meu primeiro blogue.
Um blogue azul, cheio de bonequinhos, estrelas e nuvens, a anunciar o meu maior sonho: ser mãe.
Depois desse, foram vários os blogues onde escrevi, acabando por os encerrar, ora para perder leitores que não me interessavam, ora para cair no anonimato, ora, ainda, para encerrar páginas da minha vida.
O mais curioso é que a escrita em si nunca mudou.
Todos os que me conhecem acabam por me encontrar, através dela.
Há algum tempo que abandonei este cantinho.
O facebook e a interação mais rápida deslumbraram-me, para além de andar, sempre, a correr contra o tempo, procurando aproveitar cada momento nosso.
Vocês sabem que um blogue, para mim, não é só um blogue!
Coloco em cada palavra um pedacinho meu. Não sei escrever de outra maneira. Não sei se gostaria que fosse diferente.
É a paixão a culpada. A paixão e esta meninice que me não quer largar.

Hoje, encerrei este espaço.

Encerrei-o, no sentido metafórico, no momento em que guardei tudo o que escrevi, deixando o espaço completamente em branco e ver se sou capaz de voltar e aqui deixar a minha marca, sem a apagar.
Há, ainda ou cada vez mais, alguma coisa a impedir-me de voltar como antes.
Estou cansada.
Cansada deste "escrevo não escrevo", deste "voltei, mas não voltei". Acredito que estejam cansados, também.
Dizer-vos que continuo a viver intensamente, com paixão, é aceite como desculpa desta bipolaridade que não tenho em mim e que, de há algum tempo para cá, deixo transparecer? 
Veremos o que os astros nos reservam.
Para já, estamos felizes.

(Bem hajam por continuarem aí.)