domingo, 19 de outubro de 2014

Um dia, enchi a nossa vida de luz e cor...e habituei-me.
Hoje, não consigo viver de outra maneira...nem quero.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

destino

Aos 14 anos, "a menina dos piolhos" não se livra da alcunha. 
Cresceu. Já não usa o velho lenço que escondia a imundície dos anos em que lhe escorregavam os piolhos pelas costas, vítima dos olhares de nojo e repúdio dos colegas, mas mantém no olhar o mesmo sorriso apagado. No rosto a mesma expressão de quem quer, à força, ser feliz sem conseguir.
Morreram-lhe os pais, na mesma altura. 
Toxicodependentes, deles se conhece, apenas, a miséria e o abandono a que votaram a filha.
Morreu-lhe a avó, único amparo, matriarca de uma família numerosa perdida nos meandros de uma vida inaceitável aos olhos dos que têm o poder, vergonhosa para os que nasceram em berço de ouro, triste para quem se sente impotente, inexistente para os que, por comodismo, ficaram cegos.
Apavorada pela decisão do tribunal, por temer ser institucionalizada, passa de casa em casa, aceite ali e rejeitada acolá, à espera de poder ser gente como nós.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O que me move...

Quantas vezes me questionei.
Respostas? Muitas...Sempre mais do que as questões, oferecendo-me um leque gigante de escolhas, para não me sujeitar a ficar sem resposta. Muitas vezes aterradoras, tudo era melhor do que não as ter.
Provavelmente, por isso, nunca fui capaz da metamorfose a que me obrigava, jovem, impaciente, cheia de sonhos e de vontade de mudar o mundo: o meu mundo.
Mas o meu mundo não para de girar. 
Por que razão haveria de parar, se os anos correm, revelando-me as primeiras rugas, as primeiras brancas, enfeitando-se, o corpo, dos sinais deixados pela vida que, tardiamente, gerei? Se os caminhos bifurcam, perdendo amores e ganhando outros? Se as incertezas de hoje são as certezas de amanhã e se as certezas se perdem, tantas vezes, em momentos já sentidos...já roubados? Se a beleza do que eu sou, é o todo que me tornei, neste todo que vivi e naquele que ainda hei de viver? 





domingo, 5 de outubro de 2014

Para aqui manter a luz...

Quantas vezes entristeço, ao olhar à minha volta, preferindo enrolar-me em mim como se estivesse no ventre da minha mãe.
Nem sempre encontro as melhores soluções, mas quando acontece e percebo que nada é por acaso (e que o meu acaso não é um acaso qualquer), só me resta agradecer e sorrir.
5/10/2014

Continuo a enrolar-me em mim, a ir ao fundo do poço, sempre que a angústia acontece, chorando este mundo e o outro. 
Hoje, porém, já percebi porque o faço. Já me aceitei. 
É de mim esta necessidade quase masoquista de sofrer todas as chagas do mundo, sempre que algo de maior me/nos surpreende.
É uma espécie de luto: chorar, para me levantar e seguir em frente, mais confiante...mais feliz.
Dois anos depois, estou mais forte. Sou mais forte. Mais serena, também... com enorme vontade de fazer história...a minha história... de continuar a sorrir... e nunca perder a capacidade de (me) abraçar.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Página em branco

Sempre me lembro de escrever, em diários, fechados a cadeado, ou folhas soltas: "poesia", quando o coração batia mais, sobretudo na adolescência, e prosa.
Guardava tudo religiosamente, mas se deixasse de me identificar com o que escrevia ou com os protagonistas dos meus contos de fada, fazia magia e toda a minha escrita desaparecia.
Há 8 anos, abri o meu primeiro blogue.
Um blogue azul, cheio de bonequinhos, estrelas e nuvens, a anunciar o meu maior sonho: ser mãe.
Depois desse, foram vários os blogues onde escrevi, acabando por os encerrar, ora para perder leitores que não me interessavam, ora para cair no anonimato, ora, ainda, para encerrar páginas da minha vida.
O mais curioso é que a escrita em si nunca mudou.
Todos os que me conhecem acabam por me encontrar, através dela.
Há algum tempo que abandonei este cantinho.
O facebook e a interação mais rápida deslumbraram-me, para além de andar, sempre, a correr contra o tempo, procurando aproveitar cada momento nosso.
Vocês sabem que um blogue, para mim, não é só um blogue!
Coloco em cada palavra um pedacinho meu. Não sei escrever de outra maneira. Não sei se gostaria que fosse diferente.
É a paixão a culpada. A paixão e esta meninice que me não quer largar.

Hoje, encerrei este espaço.

Encerrei-o, no sentido metafórico, no momento em que guardei tudo o que escrevi, deixando o espaço completamente em branco e ver se sou capaz de voltar e aqui deixar a minha marca, sem a apagar.
Há, ainda ou cada vez mais, alguma coisa a impedir-me de voltar como antes.
Estou cansada.
Cansada deste "escrevo não escrevo", deste "voltei, mas não voltei". Acredito que estejam cansados, também.
Dizer-vos que continuo a viver intensamente, com paixão, é aceite como desculpa desta bipolaridade que não tenho em mim e que, de há algum tempo para cá, deixo transparecer? 
Veremos o que os astros nos reservam.
Para já, estamos felizes.

(Bem hajam por continuarem aí.)