Domingo, 19 de Maio de 2013

Um dia, conto-vos por que gosto tanto de festas...

Conto-vos como cresci a ouvir cantar Amália, Marco Paulo, Beatles e Roberto Carlos...
Conto-vos o quanto cantava, em criança...
Conto-vos as romarias, os piqueniques, os encontros de família e amigos...
Conto-vos o quanto me orgulhava por ter pais tão jovens, lutadores e bonitos...
Conto-vos o quanto sempre fui beijada, protegida e abraçada...
Conto-vos por que gosto tanto de crianças...
Conto-vos o quanto gostava de andar abraçada aos meus avós...
Conto-vos todos os beijos que lhes dei...
Conto-vos a alegria de ter irmãos...
Conto-vos o momento em que fui tia...e aquele em que me transformei em MÃE...
Conto-vos o quanto dancei...
Conto-vos por que razão veio hoje para casa o grilo Roberto, ameaçado pela Maria Carlota... e por que não trouxe o Tozé, há 8 dias atrás...
Conto-vos como fui feliz na humilde casinha de bonecas onde cresci...
Conto-vos o que sinto sempre que vejo uma procissão...uma banda a tocar...um pobre a pedir esmola...em dia de festa...


Conto-vos o quanto gosto de "mimos"...
Conto-vos por que me rodeio e me "alimento" de gente que sabe amar...
Conto-vos por que me apaixono por gente simples, verdadeira e humilde...
Conto-vos como me emociono sempre que vejo uma casal de velhinhos de mão dada...
Conto-vos como aprendi a amar...
Conto-vos como um olhar me prende...um sorriso me aquece...uma palavra me envolve...


Conto-vos por que gosto de patos e pombos...
Um dia, conto-vos por que me obrigo tanto a ser feliz.


7...o número perfeito.

Não concordam?
Se 7 crianças, apenas, (9, mais para o final) puseram a casa de pernas para o ar (embora os pirralhos tenham deixado a arca vermelha em paz e os jogos de encaixe-UFF, que sorte!), como seria se os 4 faltosos tivessem vindo?
É tão bom ter a casa assim!
E ter, no final, até quase à meia noite, em regime de exclusividade, a educadora do nosso coração, a dançar e a fazer jogos connosco, levou o Ceroulinhas ao rubro.
Birras, brigas e amuos, houve-os, Nina? Que pergunta! Há sempre tudo, até as unhas da Maria Carlota se afiam mais, sobretudo quando a pobre é levada a saltar, em tudo o que tenha "molas": insuflável, trampolim, cama-sua e da mãe- mas até isso vale a pena!
Os pais dizem que o resultado deste parque de diversões (o sucesso que o baloiço fez!) é não me livrar deles tão cedo. E eu quero-o?
Daqui a um mês, mais coisa menos coisa, repetimos. Até lá, já terei reposto as energias, não?:)
Bom domingo!
Nós...nós vamos à festa!

Temos fotos giríssimas, tiradas por uma mãe e uma máquina com flash...que não esta.)

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

O nosso humilde mausoleú*

Renova-se e transforma-se, sempre que é necessário.
Um dia destes, quando menos esperar, o meu filho cresceu e a casa, que não passa disso mesmo - uma humilde casa-, terá sido o palco de muitas gargalhadas e testemunho do que não quero perder: a capacidade de voltar a ser menina...a minha essência.
Amanhã, por cá será assim...


...para delírio dos miúdos que conhecem o meu menino há uma vida.
Reúnem-se esforços, daqui e dali, e procura-se que não percam o contacto com a primeira educadora, que teve que os deixar no último ano da pré...levando-os no coração.

*...agora lar, simplesmente.
(O caos que se instalará por toda a parte, principalmente no quarto, é ultrapassado pelo prazer que dá vê-los juntos) 

Já diziam os meus avós...


... que no mês de maio se comem as cerejas no borralho.
A Serra está cheia de neve e eu roídinha por não poder meter-me a caminho e perder um dia que não se repetiria tão cedo! (amanhã tenho a casa cheia de miúdos e no domingo é festa na casa dos avós.)
Acreditem ou não (sei que acreditam, porque já perceberam que sou doida de todo!), só há uma semana saíram da mala do carro os apetrechos da neve.
Será que a teremos, ainda, dentro de uma semana?:)

Bom fim de semana!

Quinta-feira, 16 de Maio de 2013


Hoje conheci o menino autista.
Tem 5 anos, mas é tão pequenino que cabe no colo de qualquer um, comportando-se como uma criança mais pequena (usa fralda, mal sabe comer...)
Segue a educadora como se fosse um cordeirinho, de mão dada, aproximando-se dos adultos que vê entrar, no infantário.
Não teve um único momento de repulsa, enquanto lhe afagava a cabecita.
Não sei se fala. Ouvi-o balbuciar qualquer coisa impercetível, mas corre muito. Como corre.
Hoje, tive a certeza que a mãe o repudia...o rejeita, largando-o ali.
Recusa-se a falar de autismo (percetível aos olhos dos mais distraídos e/ou leigos na matéria, como eu era há um ano atrás!). Para ela, o menino tem um pequeno problema, que a levará a procurar ajuda, desde que seja privada.
Pensará, esta mãe, que no privado o caso é tratado de forma diferente? Que os médicos, só porque paga, lhe dirão que tem toda a razão e que o seu menino é um menino como os outros? Ou que lhe darão mais colo? Não foi isso que senti, no momento em que quis saber outra opinião, procurando ajuda com um profissional de renome. É um médico querido, sem dúvida, mas, graças a Deus, não camuflou o problema, no preciso momento em que o meu filho pôs os pés naquele consultório, dando-me o veredito enquanto as lágrimas rolavam, uma vez mais.
Fosse minha conhecida e este menino, pelas características que tem e porque sempre fui capaz de olhar o meu filho como um ser humano e não, apenas, com o coração apaixonado de mãe, estaria a ser acompanhado desde bebé.
Cada vez percebo menos o alheamento mascarado no dinheiro, que alguns possuem.
Não sou ninguém para julgar esta mãe, mas, carambas!, o esforço hercúleo que eu faço para não faltar apoio, público (médicas e educadora de educação especial) e privado (terapeutas) ao meu filho, que aos olhos de alguns não é asperger coisíssima nenhuma!

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Perspectivas

Quando me elogiam, por tudo o que faço para que o meu filho caminhe, fico meio sem jeito. Reconheço que tenho algum mérito, mas não é obrigação minha, como mãe?
Recuso-me a comparar as minhas forças e/ou sacrifícios com aquelas que as perderam/que os não fazem, porque alguma coisa tem que estar errada com essas mães.
Eu não acredito que uma mãe faça mal a um filho porque quer. Eu não quero acreditar que assim seja, por mais que saiba que é verdade, que acontece.
Quando se trata de crianças "diferentes", ainda me é mais penoso acreditar na indiferença, na crueldade.
E depois, nestas alturas em que me questiono, em que me olho atentamente para me certificar que estou no bom caminho, oiço vozes...rumores...verdades que me afligem, como mãe.
Uma mãe de um menino autista profundo que o deixa num infantário privado de manhã até à noite (cujas instalações desconhece, por se ter recusado a tal, no momento imediato em que lhe aceitaram o filho), sem se preocupar se fica bem ou mal, e o vai buscar e levar com desprendimento, friamente, não pode estar bem. 
Dói olhar mães assim.
Dói ouvir dizer que o meu filho, não sendo autista profundo, está acompanhado em todas as frentes...que eu não descanso enquanto o não sei bem...ao contrário desta mãe. Mãe de um menino que, comparado ao meu filho, só tem o nome do espectro.
Pobre mãe, que ainda não percebeu que precisa de se ajudar.
Pobre menino sem mãe.
Seria diferente, se esta criança conseguisse pronunciar as três letrinhas?
É em momentos assim que preciso ainda mais de abraçar o meu filho, como se dele dependesse a felicidade de tantos outros meninos...por aí...à deriva.

Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013